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  • Foto do escritorFAUNAS teatro portátil

"Qualquer coisa de sagrado"

Acerca da peça de teatro portátil apresentada na Biblioteca do Museu de Serralves, em outubro/2019.



A peça “O Pisco-de-peito-ruivo” é uma adaptação do conto “O Rouxinol”, de Hans Christian Andersen ao espaço concreto e imaginário de Serralves. A escolha da obra não foi ocasional. Estávamos perante uma encomenda, um espetáculo que colocasse o livro “O Parque” em cena. Entendemos este livro – de Raquel Ribeiro, Sofia Viegas e Teresa Matos Fernandes, com ilustrações de Fedra Santos – como uma belíssima celebração da

biodiversidade, que nos propõe caminhar, conhecer e fruir.

Essa mesma celebração da vida atravessa todo o conto de Andersen e toca-nos, interpela-nos. Até onde conhecemos? Até onde podemos – nós, humanos – ser, também, criadores?

“Amo mais o teu coração do que a tua coroa, que no entanto tem qualquer coisa de sagrado” - diz o Rouxinol ao Imperador.

Aqui, o Rouxinol é o Pisco-de-peito-ruivo e o Imperador é o Conde. Também ele possui território: o seu Condado. E, como qualquer ser vivo, também ele constrói a sua habitação. Mas o humano especializa-se, surge o Arquiteto. A posse, a ação transformadora, o conhecimento, a fruição. Todos estes movimentos fazem parte dessa dança entre ser humano e natureza.

Essa “qualquer coisa de sagrado” é que nos inquieta. Será esse jeito para o artefacto que nos torna humanos? Essa capacidade de atribuir leituras?

A ingenuidade do homem que toma um território como seu. A sabedoria do homem que humildemente se deixa surpreender. “Amo mais o teu coração do que a tua coroa” poderia talvez ser: amo mais a tua natureza do que o teu artifício. E, no entanto, esse artifício tem “qualquer coisa de sagrado”.

Como o conto, a peça de teatro ou a obra musical, talvez tenham essa “qualquer coisa de sagrado” para pousar em corpo que guarde um coração vivo.

Na imagem: ilustração de Fedra Santos.

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